O SINDICATO DE ATLETAS SP acompanha, com preocupação, a situação dos atrasos salariais enfrentados pelos atletas da Associação Atlética Ponte Preta.
Para a entidade, o caso evidencia, mais uma vez, a fragilidade estrutural das relações de trabalho no futebol brasileiro. Hoje, o futebol se tornou um dos meios mais inseguros para o trabalhador brasileiro, onde atletas convivem constantemente com a ausência de garantias básicas de recebimento salarial e trabalhista.
Mesmo após anos de dedicação profissional, muitos atletas ainda enfrentam longas disputas judiciais para receber valores devidos.
📉 INSTABILIDADE FINANCEIRA DOS CLUBES
O Sindicato ressalta que o problema não se limita à Ponte Preta.
Grande parte dos clubes do futebol brasileiro vive ambientes de instabilidade financeira, incluindo equipes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, onde atrasos de salários e direitos de imagem passaram a fazer parte da rotina do esporte nacional.
Segundo a entidade, esse cenário é consequência direta de legislações, interpretações e mecanismos que, ao longo dos anos, acabaram por flexibilizar a responsabilidade financeira dos clubes, permitindo gestões irresponsáveis sem punições efetivas.
⚖️ O ALERTA FEITO PELO SINDICATO DESDE 2012
O SINDICATO DE ATLETAS SP relembra que participou ativamente, em 2012, das discussões que propunham medidas mais rígidas para combater a inadimplência no futebol.
Entre elas, mecanismos esportivos que punissem clubes inadimplentes, como a perda de pontos em competições para equipes que atrasassem salários.
Para a entidade, caso essas medidas tivessem alcançado a efetividade necessária, o futebol brasileiro não teria chegado ao atual cenário de insegurança e insolvência financeira.
🏛️ AÇÕES CONTRA FPF E CBF
O Sindicato também destaca que ajuizou ações contra a Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 2018, buscando o cumprimento das determinações previstas no Profut — programa criado justamente para estimular responsabilidade fiscal e trabalhista nos clubes brasileiros.
Entretanto, segundo a entidade, decisões posteriores acabaram por permitir que os clubes mantivessem parcelamentos prolongados de suas dívidas, sem que houvesse responsabilização efetiva pelo não pagamento regular dos salários.
🤝 A ATUAÇÃO DO SINDICATO NA PONTE PRETA
Sobre a situação específica da Ponte Preta, o SINDICATO DE ATLETAS SP informa que esteve presente diversas vezes no clube, realizando reuniões com atletas e diretoria.
A entidade atuou como intermediadora das conversas, esclarecendo dúvidas dos jogadores sobre as possíveis consequências jurídicas e desportivas de eventuais decisões, além de prestar apoio integral à categoria.
O Sindicato ressalta ainda que há uma complexidade adicional no atual sistema desportivo brasileiro: muitos atletas enfrentam dificuldades para tomar decisões mais drásticas, como a rescisão contratual, diante da insegurança quanto à continuidade profissional e da ausência de oportunidades imediatas no mercado.
⏳ PRAZOS NÃO CUMPRIDOS
A entidade informa que a diretoria da Ponte Preta apresentou prazos para a regularização dos pagamentos, que não foram integralmente cumpridos.
Embora parte dos valores tenha sido quitada, os atletas ainda não receberam a totalidade de seus créditos.
📢 POSICIONAMENTO SOBRE O FUTURO DO FUTEBOL
Por fim, o SINDICATO DE ATLETAS SP entende que as entidades responsáveis pela organização do futebol brasileiro, como a FPF e a CBF, precisam assumir protagonismo no debate sobre sustentabilidade financeira, responsabilidade trabalhista e proteção ao atleta profissional.
Para a entidade, a ausência de mecanismos efetivos de controle e punição vem contribuindo diretamente para o aumento da insolvência dos clubes e para a insegurança dos trabalhadores do esporte.O futebol brasileiro precisa discutir esse tema com seriedade e responsabilidade. Quem vive sem receber salários são os atletas — e não as entidades que comandam o esporte.
SINDICATO DE ATLETAS SP
Em defesa dos direitos dos atletas profissionais