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Dez anos depois, passe resiste e gera mais cobiça

<div><font face=’Verdana’ size=’2′>Passe. A palavra n&atilde;o morreu. Est&aacute; viva na boca de dirigentes, empres&aacute;rios, jogadores, jornalistas e at&eacute; de decis&otilde;es judiciais que lidam com o futebol brasileiro. Quando n&atilde;o usam o termo consagrado, substituem-no pelo moderno direitos federativos, ou econ&ocirc;micos. O sentido, por&eacute;m, &eacute; o mesmo.</font></div><font face=’Verdana’ size=’2′><div><br />Fato &eacute; que nenhum deles se esquece do mecanismo que prendia o jogador ao clube mesmo depois do fim do contrato de trabalho, extinto h&aacute; exatos dez anos com a promulga&ccedil;&atilde;o da Lei Pel&eacute;.</div><div><br />N&atilde;o que o futebol na &uacute;ltima d&eacute;cada tenha ficado inalterado. Mudou o poder: empres&aacute;rios, alguns jogadores e at&eacute; fundos de investidores ganharam for&ccedil;a diante dos clubes. Mudaram os personagens: surgiram superagentes, atletas ciganos e atravessadores. Mudaram, principalmente, os times, sujeitos ao eterno desmonte.</div><div><br />Aos atletas mais velhos, os clubes reservam contratos curtos para evitar multas rescis&oacute;rias ou cl&aacute;usulas penais. Suas estadas tendem a ser breves.</div><div><br />Os mais jovens s&atilde;o brindados com compromissos longos. Mas ficam pouco tempo, pois s&atilde;o logo transferidos.<br />Dessa roleta, nascem personagens como o atacante Luiz&atilde;o, que rodou por 14 clubes em 17 anos. Passou por oito grandes do Brasil. Trajet&oacute;ria poss&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave; Lei Pel&eacute;, diz ele.</div><div><br />Se Luiz&atilde;o dividiu a carreira por muitos clubes, alguns atletas s&atilde;o &quot;fatiados&quot; dentro de um s&oacute; time. Os direitos econ&ocirc;micos s&atilde;o repartidos entre clubes, agentes, fundos e o jogador.</div><div><br />Tudo &agrave; margem de normas da Fifa. Tudo sujeito &agrave; confirma&ccedil;&atilde;o de contratos na Justi&ccedil;a. Tudo inst&aacute;vel, desregulado diante de uma CBF que pouco interfere no mercado da bola.</div><div><br />Essa feira informal, na qual vale o acordo de boca muitas vezes n&atilde;o cumprido, gera pedidos por regulamenta&ccedil;&atilde;o.</div><div><br />At&eacute; Pel&eacute;, que deu nome &agrave; lei e reclama de ela ter sido deturpada, fala em mud&aacute;-la. N&atilde;o &eacute; o &uacute;nico. Dez em dez cartolas pedem a altera&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o. E fazem lobby junto ao governo federal. At&eacute; o presidente Lula j&aacute; disse que quer modifica&ccedil;&otilde;es. Do outro lado, o sindicato dos jogadores teme perder direitos adquiridos. E ainda pede mais direitos trabalhistas.</div><div><br />Longe da ciranda de empres&aacute;rios e clubes grandes, a maioria dos 16 mil jogadores registrados no pa&iacute;s contenta-se em migrar para mercados desconhecidos no exterior, abertos ap&oacute;s a Lei Pel&eacute;. E ainda n&atilde;o v&ecirc;em horas extras entre seus ganhos em carteira.</div><div><br />Do andar de cima ao de baixo, tudo mudou, nada mudou. E a guerra come&ccedil;ou de novo.</div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Por Lu&iacute;s Ferrari e Rodrigo Mattos</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Folha de S. Paulo, 24/03/2008</font></div></font>

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