NOTÍCIAS

NULL

O futebol é não-linear

<div><font face=’Verdana’ size=’2′>Falar sobre futebol &eacute; entrar no terreno do sagrado, do imponder&aacute;vel, das paix&otilde;es e do fasc&iacute;nio eterno pelas onze camisas de nosso time do cora&ccedil;&atilde;o, disputando a magia de dominar a bola, donzela caprichosa e exigente, levando-a ao gol advers&aacute;rio com a habilidade de um fino conquistador ou com a valentia de um bravo guerreiro.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Mas n&atilde;o &eacute; o futebol um jogo de acertar um corpo esf&eacute;rico, impulsionado por uma seq&uuml;&ecirc;ncia de chutes, para o interior de um conjunto de pontos, delimitado por um ret&acirc;ngulo desenhado por tr&ecirc;s peda&ccedil;os de madeira? O corpo a ser impulsionado tem massa conhecida, o campo de jogo situa-se sobre o solo, em regi&atilde;o em que a acelera&ccedil;&atilde;o da gravidade &eacute; conhecida?</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Ent&atilde;o, desconsiderando a quest&atilde;o psicol&oacute;gica e comportamental dos jogadores, &aacute;rbitros e torcida, o futebol segue leis da F&iacute;sica e, v&aacute;rios de seus principais movimentos, como cobran&ccedil;as de falta, escanteios e passes podem ser equacionados e estudados. At&eacute; mesmo o flexionar de pernas de um centro-avante que procura o cabeceio e o posicionamento do saudoso Le&ocirc;nidas, ao dar uma bicicleta, podem ser equacionados.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Assim fazem v&aacute;rios pa&iacute;ses desenvolvidos na prepara&ccedil;&atilde;o de seus atletas: estudando a disciplina &ldquo;Din&acirc;mica do Movimento&rdquo; aprimoram graciosas ginastas, velozes nadadores, saltadores e corredores, levando-os a fa&ccedil;anhas impens&aacute;veis pelo homem em seu dia-a-dia.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>A pergunta que fica &eacute;: por que essa parafern&aacute;lia cient&iacute;fica se aplica t&atilde;o bem a esportes como gin&aacute;stica ol&iacute;mpica, atletismo e nata&ccedil;&atilde;o e &eacute; menos eficaz em esportes como basquete ou futebol?</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Mais ainda, de onde surge um g&ecirc;nio como Pel&eacute;, capaz de movimentos plasticamente perfeitos e de precis&atilde;o absoluta? De onde surge o Sobrenatural de Almeida, de N&eacute;lson Rodrigues, que faz o Zidane dar um &ldquo;chap&eacute;u&rdquo; no nosso fen&ocirc;meno e abater um pa&iacute;s todo em uma &uacute;nica jogada?</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Uma pessoa medianamente versada em ci&ecirc;ncia diria, parafraseando o genial G&eacute;rson de Oliveira Nunes: uma coisa &eacute; uma coisa, outra coisa &eacute; outra coisa.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Nossa vis&atilde;o cient&iacute;fica &eacute;, ainda, impregnada pelo determinismo que se origina na Mec&acirc;nica Newtoniana: conhecendo-se a posi&ccedil;&atilde;o e a velocidade de um corpo em seu instante inicial e todas as for&ccedil;as atuantes em um dado intervalo de tempo, determina-se a posi&ccedil;&atilde;o do corpo ao final.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Seguir essa vis&atilde;o levaria &agrave; conclus&atilde;o de que, ou o futebol &eacute; um jogo totalmente previs&iacute;vel, ou n&atilde;o &eacute; explic&aacute;vel cientificamente.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Acontece que o futebol &eacute; n&atilde;o linear e, portanto, imprevis&iacute;vel, mas explic&aacute;vel cientificamente.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>O que &eacute; um fen&ocirc;meno f&iacute;sico n&atilde;o linear? &Eacute; aquele em que o todo n&atilde;o &eacute; uma mera superposi&ccedil;&atilde;o das partes. O fato de existirem fen&ocirc;menos n&atilde;o lineares mudou a maneira dos cientistas olharem o mundo e de interpret&aacute;-lo pelas leis f&iacute;sicas.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Come&ccedil;ou com Poincar&eacute;, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, passou por nomes como Lorenz, Andronov, Faiguenbaum e at&eacute; pelo brasileiro Jacob Palis. Agora, levando em conta a n&atilde;o linearidade, entende-se a &ldquo;sensibilidade &agrave; condi&ccedil;&atilde;o inicial&rdquo;.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Pequenas mudan&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es iniciais produzem grandes mudan&ccedil;as no comportamento global do sistema. Essa &eacute; a id&eacute;ia, que popularizada com o nome de teoria do Caos, se propagou da Matem&aacute;tica para a F&iacute;sica, dela para a Biologia e Qu&iacute;mica e, das duas, para a Ci&ecirc;ncia Comportamental.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>A gen&eacute;tica tem, no modelo de dupla-h&eacute;lice do DNA, explica&ccedil;&otilde;es para a hereditariedade. Mas a n&atilde;o linearidade faz Pel&eacute; ter em seu c&oacute;digo gen&eacute;tico uma pequena varia&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao restante de sua fam&iacute;lia, fazendo emergir o g&ecirc;nio em meio &agrave; complexidade.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Naquela c&eacute;lebre final da Copa Am&eacute;rica, o goleiro da Argentina defendia com o peito, o atacante passava o p&eacute; sobre a bola quando Diego resolveu se livrar dela, no &uacute;ltimo segundo, lan&ccedil;ando-a para a &aacute;rea. Houve um evento &uacute;nico, singular, o gol de Adriano. Todo o estado de esp&iacute;rito dos platinos se extinguiu, fazendo-os chutar de maneira p&iacute;fia p&ecirc;naltis que n&atilde;o erram.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Para o fascinante mundo da imprevisibilidade futebol&iacute;stica, a mesma explica&ccedil;&atilde;o de que o todo n&atilde;o &eacute; uma mera superposi&ccedil;&atilde;o das partes. Para o mundo criado em nosso imagin&aacute;rio por Pel&eacute;, Maradona, Puskas, Gerson e Zidane, a explica&ccedil;&atilde;o que brota dos c&eacute;rebros de Poincar&eacute;, Lorenz, Heisenberg, Andronov e Feiguenbaum.</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>&nbsp;</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Por Jos&eacute; Roberto Castilho Piqueira</font></div><div><font face=’Verdana’ size=’2′>Professor titular da EPUSP</font></div>

Compartilhar:

+ NOTÍCIAS

Jurídico

Protesto de atletas no ATO TRABALHISTA (1)

Sindicato de Atletas luta no STF pelo fim do “Ato Trabalhista” no futebol

Institucional

WhatsApp Image 2025-11-12 at 11.46.08

Sindicato de Atletas SP presente nos arbitrais das Séries A1 e A2

Institucional

FIFA-ENCONTRO-MARROCOS

Sindicato de Atletas SP participa de Fórum Consultivo de Jogadores organizado pela FIFA no Marrocos