Já começou a debandada de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro a oficializar sua saída foi o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, que deve deixar o posto até o dia 31. Outros integrantes do primeiro escalão devem tomar o mesmo rumo até o final do mês.
A data coincide com o prazo dado pela legislação eleitoral para a desincompatibilização dos ocupantes de cargos públicos que querem se candidatar ao pleito deste ano. Pela lei, a desincompatibilização deve ocorrer pelo menos seis meses antes da eleição.
Outro nome certo na lista de baixas do governo é do secretário nacional de Pesca, José Fritsch. O PT de Santa Catarina já aceitou a indicação Fritsch para candidato ao governo do Estado.
Entre os ministros já sinalizaram a intenção de deixar o governo estão Jaques Wagner (Relações Institucionais) e Alfredo Nascimento (Transportes). Wagner quer disputar o governo da Bahia pelo PT. Nascimento pode tentar a vaga de senador do Amazonas.
Também há rumores em Brasília sobre a saída do ministros da Integração Nacional, Ciro Gomes, que já admitiu a possibilidade de se candidatar à deputado federal pelo Ceará. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, também admitiu a possibilidade de disputar o governo de Minas Gerais pelo PMDB.
Outro nome que aparece na lista de baixas está o do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), lembrado como provável candidato ao governo do Paraná. Ele também pode se reeleger como deputado federal.
A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) também pode deixar o governo para disputar o governo do Acre.
Também há rumores sobre a possível saída do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, que teria a intenção de ser vice de Lula numa aliança entre PT e PTB.
O sonho de Mares Guias deve esbarrar na possível coligação entre o PT e o PMDB. Tudo indica que o vice de Lula seja um nome do PMDB nas eleições de outubro.
O posto de vice também é almejado por José Alencar (PRB), atual vice e ministro da Defesa. Ele teria a intenção de repetir neste ano a mesma chapa que venceu as eleições presidenciais de 2002.
Coordenação
A formação da equipe de coordenação da campanha de Lula também deve desfalcar o primeiro escalão do governo. Além de Wagner, são cotados para assumir a coordenação os ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral) e Antonio Palocci (Fazenda). Este último, considerado a "jóia da coroa", pode ceder o cargo para o atual secretário-executivo, Murilo Portugal.
Da Folha Online (02/03/2006)